quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Monolito 0

"Na Primavera Tipasa é habitada pelos deuses e os deuses falam no pelo crespo e alaranjado entre os cornos; Um focinho rosado abaixando-se inquiridoramente sobre uma minúscula xícara em um pires; uns olhos que exprimiam um espanto mais do que humano.
Em frente, reclinado em seu canto, estava o pai de Anthony, fazendo da mão esquerda um quebra-luz para os olhos e movendo os lábios sob um bigode castanho e pendente no odor dos absintos, no mar revestido por uma couraça de prata, no céu de um azul inclemente, nas ruínas cobertas de flores e na luz que jorra aos borbotões por entre as pedras amontoadas.
O odor intenso das plantas aromáticas arranha a garganta e sufoca, no calor descomunal.
Na Primavera Tipasa é habitada a muito custo, no fundo da paisagem, consigo vislumbrar a massa escura do Chenoua, que se enraíza nas colinas que circundam a aldeia, estremece com um ritmo seguro e pesado, para ir agachar-se no mar. "
-- Tálvez Lo-ur lo-Frotto, colagem de Huxley e Camus

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